





Perguntam-me muitas vezes o que se sente com a perda de um filho, pedem-me para a traduzir em palavras.... a perda pode ser isto, este sentimento de fraqueza, que NOS parte, por dentro e por fora, ao mais leve movimento.

A Artémis vai participar de mais uma mesa redonda no dia 8 de Março, dia da Mulher, em Viseu. Esta iniciativa fica a cargo dos Enfermeiros de urgência da obstectrícia do hospital de Sº. Teotónio - Viseu. O tema que debateremos é: "Quando a morte acontece - processo de luto"
Podem consultar o programa completo
AQUI. Para mais informações podem fazê-lo directamente com o departamento de formação da associação Artémis - dep.formacao-artemis@iol.pt

é o melhor remédio......
Uma mulher conduzia o automóvel na A5 quando recebe um telefonema do marido:
- Querida, tem muito cuidado! Ouvi agora nas notícias que anda uma maluca em sentido contrário na auto-estrada.
- Uma!!??????? São às centenas!


Imaginem-se na luta por um filho, durante anos, não ANO, anos ... exames, insónias, medos, frustrações, discussões, tudo porque esse filho não chega. Aliado a isto, horas a fio de incertezas, de inseguranças, de um autêntico vazio e de sensações de inutilidade.
De repente ... a falha da menstruação lança a dúvida e vemo-nos a alimentar uma esperança, que desejamos não perder. Rezamos baixinho para que o teste dê positivo. Ninguém se apercebe desta angústia, apenas nós a conhecemos e, naturalmente, evitamos que outros a leiam no nosso rosto. A medo faz-se o teste e finalmente o - POSITIVO!!!!!
Uma enorme alegria invade o peito, uma força enorme apodera-se de nós e TODOS são informados do nosso estado de graça. Um dia .... sem mais nem menos, numa consulta, ou em casa, na rua ... em qualquer lugar .... o filho que carregamos no ventre, é-nos arrancado por uma "coisa" que não vemos, que não avisa que chega, por algo que não nos permite defesa. Vemos o Sonho desmoronar-se ao sopro de um nada, que não mostra o rosto, não mostra uma fraqueza, nada que permita reverter a situação. Esse filho é-nos levado covardemente por uma "coisa" ....
Pensamos que não vamos conseguir viver com isso, fechamo-nos, odiamo-nos, enraivecemos por vivermos, não toleramos os outros, achamos que somos míseras e procuramos ajuda. Procuramos ajuda .... mas de forma silenciosa, por vergonha, por receio de julgamentos.
Conheço imensas histórias assim .... eu já fui uma história assim, mas não senti vergonha, nem receio, nem medo de dizer ao mundo que perdi 2 filhos ... o mundo precisa de saber, que uma "coisa" nos rouba o nosso maior sonho, precisa de saber que a força e a coragem que aprendemos a desenvolver são dignas de admiração. A vida deu-nos um presente, em troca do nosso filho roubado - podermos aprender, crescer, tornar-nos força da natureza, voltarmos à luta, acreditarmos em nós e tornar-nos SOLIDÁRIAS.
Com quem?
Com mulheres que inevitavelmente serão roubadas por essa "coisa" e necessitarão de aprender, também, a olhar para o mundo sem medos, receios ou vergonha.



Decorreram ontem as jornadas, O Aborto – Uma questão Social…. Na Póvoa de Lanhoso.
Apesar de ao longo de estes 4 anos de intervenção do Projecto Artémis, junto da população e de profissionais de saúde, já nada me provocar admiração, mas realmente, por vezes, O Espanto invade-me.
Constatei, novamente, o quanto a classe médica desconhece a intervenção da Artémis, desconhece a luta que por detrás dela germina, desconhece a dor e o vazio de todas as mulheres que dela fazem parte.
Fui confrontada com uma nova palavra, por parte de médicos, que após intervirem, sublinharam a falta de conhecimento sobre factos e atitudes, que quando não se conhecem, não se afirma. A associação foi acusada de falta de – Pró actividade.
Talvez o conceito deste termo não seja o mesmo para ambas as partes, a verdade é que esta associação, que orgulhosamente dirijo, no decurso da sua existência tem agido impecavelmente, se levarmos em conta os recursos técnicos e humanos reduzidos que possui.
Os médicos são humanos e têm formas diferenciadas de agir – CONCORDO, só não concordo que por detrás de uma bata branca e sob um tecto que abriga um hospital se esqueçam que lidam com seres humanos. As únicas pessoas ali que importam, a quem se lhes deve dignidade total é ao paciente, que não tem culpa se lhes dói a cabeça, se estão há 24 horas acordados.
Sinto alguma frustração quando olho para a Jornadas, porque é uma pena ter que existirem associações para os lembrar de que mulheres que perdem filhos têm sentimentos, têm emoções, precisam de carinho e … ironicamente, os ensinem a usar as palavras certas.
Se existem associações, deixem-nas trabalhar, deixem-nas ajudar …. Pró actividade?
TEMOS, mas eu arriscaria em mudar esta palavra, para uma que me parece que é o que eles mais desejariam dizer: “Não chateiem”!

Entrada: Livre
Local: Casa da Botica - Biblioteca Municipal

Nasceu mais um sonho, quando hoje, pelas 16:00, primi esta tecla .... mais um sonho seguiu o seu percurso.... agora que se cumpra o seu destino!
Estou em...

O Aborto – Uma questão Social…
Auditório da Casa da Botica – Biblioteca Municipal
Póvoa de Lanhoso
07 De Fevereiro de 2007
PROGRAMA
21.00h – Sessão Solene de Abertura
Intervenção da Winnerges
Moderador: Manuela Pontes
21.15h – Leitura de uma Carta ao mundo
21.30h – “Sequelas Psicológicas do Aborto Espontâneo”
Dr.ª Sandra Cunha
21.40h - “O Abortamento espontâneo: Narrativa na primeira pessoa”
Cristina Carvalho
21.50h – Abortamento – Aspectos Clínicos
Dr.ª Paula Pinheiro – Médica Obstectra
Dr.ª Belisa Avidez– Médica Obstectra
22.00h – O Aborto – Uma questão Social
Apresentação de estatísticas relativas aos abortamentos pelos formandos da Winnerges.
22.15h – Debate
Contactos para informações:
Manuela Pontes - 91 74 000 25
Vera Gonçalves - 96 86 015 88


